Você ajuda a criar um ambiente profissional inclusivo?

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No mês em que se celebra o Dia da Consciência Negra é importante lembrar que todos nós fazemos parte de uma sociedade permeada pelo racismo estrutural. Nem sempre nos damos conta, mas, muitas vezes, temos falas racistas e adotamos posturas baseadas em vieses inconscientes — julgamentos baseados em crenças, costumes e valores que adquirimos ao longo da vida. É preciso, entretanto, combater o preconceito, sobretudo no ambiente profissional, onde a conduta soma muitos pontos. É preciso policiar as palavras, se atualizar sobre o assunto e, se possível, colocar em prática atitudes antirracistas.

Para Alexander Costa, CEO do Grupo Gestão GMA e especialista em Desenvolvimento Humano, Liderança e Carreira, profissionais que se posicionam de forma a apoiar a diversidade e a inclusão têm conquistado destaque. “Esse posicionamento mostra que eles se importam com tudo o que acontece ao seu redor, não somente o restrito ao trabalho. É importante humanizar essas questões para além da empresa”, afirma.

Já Greice Ciarrocchi, CEO da CCS Tecnologia e Serviços e especialista em Relações Humanas, é um dever de todos discutir e repensar o racismo, até para mudar a situação. “As gerações novas já refletem mais sobre o assunto e as empresas também precisam se adaptar. O profissional que não se adequar a esse contexto terá o seu futuro afetado, com certeza”, avisa.

Ações para colocar em prática já

O primeiro passo para combater o racismo no trabalho é entender que somos diferentes, mas somos importantes uns para os outros. Ninguém é melhor do que ninguém e nem tem o direito de diminuir o outro por aquilo que ele é. Confira outras sugestões!

• Cuidado com a linguagem. Alguns termos considerados racistas caíram em desuso e podem ser ofensivos. Vale a pena pesquisar a respeito para não agir com desrespeito.

• Evite brincadeiras que possam ofender o outro. Há quem ache que o mundo “politicamente correto” é chato, mas será que as pessoas não consideram chato apenas aquilo que não dói nelas? Não tem problema nenhum brincar quando isso não fere, humilha ou expõe o outro. Evite apelidos jocosos e termos pejorativos.

• Procure o comitê de Diversidade & Inclusão da sua empresa. Pergunte sobre as políticas adotadas e compartilhe suas descobertas com a equipe. “Lembre-se que apoiar a Diversidade & Inclusão não significa apenas contratar pessoas com deficiência, negras ou LGBTQI+. É preciso preparar o ambiente, sensibilizar a equipe e comunicar a todos a importância e por que a empresa tem ou está desenvolvendo o programa”, explica Leizer Vaz Pereira, CEO da Empodera, startup de RH com o propósito de servir as empresas na preparação para a jornada de mudança de cultura para inclusão e valorização da diversidade como fator estratégico para o negócio.

• Exercite a empatia. Todos somos livres para emitir opiniões. Em um ambiente de trabalho saudável, esse comportamento, inclusive, é incentivado. “Porém, é preciso tomar bastante cuidado para não confundir liberdade de expressão com liberdade para dizer o que quiser sem consequências. Injúria racial é crime e deve ser tratada com tal, seja no trabalho, na faculdade ou em qualquer lugar”, avisa Pereira.

• Eduque-se. “Busque se informar sobre as pautas antirracistas, pois a gente só irá acabar com o preconceito com a educação”, pontua Cammila Yochabell, CEO e fundadora da Jobecam, plataforma de seleção de talentos em vídeo que ajuda empresas a promoverem processos seletivos justos e inclusivos por meio de entrevistas realizadas às cegas. “Promover a diversidade e inclusão é um papel coletivo da sociedade. Se cada um de nós adotarmos simples posturas, avançaremos bastante”, completa.

Liderança deve dar exemplo

Respeito e tratamento igualitário a todos os colaboradores são iniciativas que devem partir dos gestores. Nos cargos de liderança, a postura antirracista se torna ainda mais relevante, pois as atitudes que vêm de cima podem influenciar os colaboradores, positiva ou negativamente. Os funcionários, em muitos casos, se espelham na chefia e no seu discurso.

Na opinião de Greice, a liderança deve tomar atitudes e agir quando enxergar alguma discriminação ou preconceito dentro da organização. “Isso é muito sério. A liderança precisa ser exemplo, quebrar paradigmas e crenças preestabelecidas, convidando os colaboradores para que reflitam e tenham um olhar diferenciado. Não adianta existir um discurso na empresa, sendo que não existem ações, de fato, que vão no sentido dos valores pregados ou atitudes que se esperam”, observa. Outra questão importante: também é preciso que exista diversidade nos altos cargos, não só na base da pirâmide.

É válido ressaltar que a valorização da diferença faz com que os colaboradores desfrutem de mais liberdade para haver autenticidade e genuinidade no trabalho. Além de ser necessária e saudável, ainda ajuda no crescimento do negócio. Apoiar a Diversidade & Inclusão faz com que as empresas sejam mais criativas, reduzam turnover, tenham maior engajamento entre os funcionários e, consequentemente, obtenham melhores resultados. Todos saem ganhando ao colocarem em prática posturas antirracistas.